quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Desprezo supera o ódio.

Postado por Clube da Luluzinha às 05:55


O motivo que me levou a escrever este texto foi um e-mail que recebi esta seman de uma Luluzinha. O conteúdo da mensagem é semelhante a um outro e-mail que me foi enviado há um tempo. Queriam minha opinião a respeito: o que fazer diante do desprezo da pessoa amada? Boa hora para falar nisso...



Existe um espaço considerável entre as palavras “ódio” e “desprezo”. Odeia-se alguém por vários motivos, dentre eles a traição, o mau-caratismo e o abandono. O ódio é um sentimento que provoca as mais diversas sensações, e, nutridos por ele, somos capazes de pensar ou fazer coisas inexplicáveis, irracionalmente despropositadas, conduzidas pela impulsividade e pelo prazer de ver o nosso objeto de fúria sucumbir. É a partir desse momento, o de atuação, que encontramos (ou não) um inimigo disposto a bater de frente com as nossas transgressões psicológicas. No caso de reciprocidade emocional, o ódio ganha corpo, personalidade, e é alimentado prazerosamente com as mais raras iguarias.

Pense bem, quem odeia não se sente sozinho; terá sempre à sua esquerda, a presença psicológica do seu algoz, pronto para lhe despertar mais e mais sensações negativas por conta de uma trama bem desenvolvida ou mesmo uma discussão inacabada. O que seria melhor? Ter por perto alguém que o odeie ou o despreze? Alguém preocupado em lhe dar o troco pelo último round, maquinando nas noites silenciosas algo para deixá-lo furioso, gastando neurônios para sair vencedor da batalha incansável, em nome de um sentimento reaceso todos os dias ou, simplesmente, alguém que nem se lembra da sua existência?

O desprezo, contrariamente ao ódio, é a falta de sentimento. E a palavra “falta” lembra ausência, neutralidade, insignificância, imparcialidade, desinteresse, negligência, desprendimento, inércia. Esqueci alguma coisa? Isso quer dizer, em vocábulo objetivo que, a partir do momento que se é desprezado por alguém, é como se fosse um amontoado de nada para essa pessoa. É uma forma cruel de punição, seja pelo motivo que for. Ser indiferente a alguém é não ter valor (vivo ou morto), e essa falta de reconhecimento pode gerar algo tão pesaroso que comprometerá o apreço a si mesmo.

Quando os laços de um relacionamento se rompem, geralmente, ficam mágoas, pesos, uma tenra sensação de fracasso e uma preocupação direta em culpar o outro pela morte dos sentimentos bons. Mas ficam lembranças de momentos vividos que, depois de um certo tempo, acabam evoluindo para saudade ou nostalgia. Ser lembrado de vez em quando por alguém com quem se dividiu espaço, suor, lágrima, beijo, raiva, ofensas, é confortador. Sim! Houve troca de emoções recíprocas e energias fluíram por um tempo.

Estar ao lado de alguém que sequer percebe a nossa presença é algo tão inconcebível que desmerece análise. Sabe por quê? Porque não há o que analisar! Como se pode querer fazer colóquios interpretativos em torno do que não existe? O que prende uma pessoa à outra é um aglomerado de composições emocionais que justificam a união. Se isso só está enraizado em uma das partes, não há história, é um espelho sem face. Pode mudar o cabelo, o perfume, viajar para o Nepal, transgredir valores, virar poliglota... a lei da compensação só funciona para casos em que existe autenticidade.

Conversando hoje pela manhã com uma nova amiga, ouvi dela algo muito interessante e que se encaixa perfeitamente para esse enredo. Ela me disse que a avó paterna costuma simplificar os conselhos aos netos com uma única frase: as pessoas fazem aquilo que você permite que elas façam! Bingo! A sábia anciã, no alto de sua vivência filosófica, conseguiu resumir em poucas palavras o que, às vezes, levamos anos para perceber. Se permitimos que os outros adentrem a nossa vida, vasculhem todos os armários, rabisquem os nossos quadros, pensem o que quiserem e desmereçam as nossas qualidades, é porque demos o aval, com assinatura reconhecida e ausência de confronto. Ora, se fomos omissos para mostrar quem somos, por que queremos exigir que os outros nos enxerguem?

2 comentários:

***Adriana Rocha*** on 15 de junho de 2011 06:45 disse...

Posso ser uma pessoa desprezível, mas quando a verdade fala em mim, sou invencível.

Mahatma Gandhi

***Adriana Rocha*** on 15 de junho de 2011 20:20 disse...

Olha meninas temos bolinhas descolados na nossa bota, juízo!

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